Tenho melanoma. E agora?

Receber um diagnóstico de melanoma pode ser um momento difícil. É natural sentir medo, incerteza ou confusão. No entanto, é importante saber que existem tratamentos eficazes e que, com o acompanhamento adequado, muitas pessoas continuam a viver com qualidade de vida após o diagnóstico.

O que acontece a seguir?

Depois da remoção da lesão suspeita e da confirmação do diagnóstico através de um exame anatomopatológico (análise microscópica da pele retirada), o passo seguinte é perceber em que fase se encontra a doença. Este processo chama-se estadiamento.

Estadiamento do melanoma

O melanoma é classificado de acordo com o sistema internacional TNM, que avalia:

  • A profundidade do tumor na pele (índice de Breslow
  • A presença ou ausência de ulceração 
  • O envolvimento de gânglios linfáticos regionais 
  • A existência de metástases à distância 

Com base nestes critérios, o melanoma é classificado em estádios de 0 a IV, o que permite definir o tratamento e o seguimento mais apropriados. 

Saiba mais sobre estadiamento do melanoma aqui

Tratamentos e Intervenções Cirúrgicas

Excisão com margem de segurança 

Na maioria dos casos, o primeiro passo é uma cirurgia para remover completamente a área afectada, com uma margem de pele saudável ao redor da lesão, para garantir que não ficam células malignas. A largura da margem depende da profundidade do melanoma. 

Biópsia do gânglio sentinela 

Se o melanoma for mais espesso (geralmente com mais de 0,8 mm ou com ulceração), pode ser indicada a pesquisa do gânglio sentinela – o primeiro gânglio linfático para onde o melanoma teria maior probabilidade de se espalhar.

Este procedimento permite detectar metástases precoces, mesmo antes de haver sinais visíveis. Se o gânglio estiver afectado, poderá ser necessário realizar tratamentos adicionais, como imunoterapia ou terapias alvo

Exames Complementares

Consoante o estádio da doença, poderão ser solicitados exames para avaliar a extensão do melanoma:

  • PET (Tomografia por Emissão de Positrões) – detecta zonas com actividade metabólica aumentada, que podem indicar a presença de células tumorais activas. 
  • TAC (Tomografia Axial Computorizada) – permite visualizar com detalhe órgãos internos e detectar eventuais metástases. 
  • Ressonância Magnética – especialmente útil para avaliar o cérebro, a coluna ou outras áreas específicas. 
  • Ecografia dos gânglios linfáticos – pode ser utilizada para monitorizar regiões onde o melanoma possa ter-se espalhado, especialmente no seguimento a longo prazo. 

Estes exames ajudam a definir o estádio da doença, a planear o tratamento e a acompanhar a resposta ao mesmo. 

E o Acompanhamento?

Após o tratamento inicial, é fundamental manter um seguimento médico regular, de forma a:

  • Vigiar a cicatrização da cirurgia 
  • Detectar precocemente possíveis recidivas 
  • Identificar o aparecimento de novos melanomas 
  • Monitorizar eventuais efeitos secundários dos tratamentos 

A frequência das consultas varia consoante o estádio da doença e o tempo desde o diagnóstico, podendo ser trimestral, semestral ou anual. O acompanhamento é frequentemente feito por uma equipa multidisciplinar, que pode incluir dermatologistas, oncologistas, cirurgiões e outros profissionais de saúde. 

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